terça-feira, 21 de junho de 2016

O Preço de Ser Uma Estrela: Julia Roberts



É muito comum entre os cinéfilos uma indisposição com atrizes populares, sim, atrizes, pois essa mesma indisposição não acontece quando são atores populares. Fato é, que para Julia Roberts, as comédias românticas também atrapalharam para que sua aceitação no mundo "cult" acontecesse, mesmo que Uma Linda Mulher, O Casamento do Meu Melhor Amigo e Um Lugar Chamado Notting Hill sejam melhores que muitos filmes considerados "cults" por aí.



                                                     Um Lugar Chamado Notting Hill 1999


Julia Roberts foi o "boom" dos anos 90, em 1989 ela foi indicada ao Independent Spirit Awards pelo seu trabalho em Mystic Pizza, em 1990 foi indicada ao Oscar e venceu o Globo de Ouro pelo seu trabalho em Steel Magnolias, nesse mesmo ano participou no longa que mudaria sua carreira para sempre, Uma Linda Mulher, que foi um sucesso estrondoso de bilheterias, rendendo mais um Globo de Ouro para atriz e mais uma indicação ao Oscar e dali pra frente Julia não parou mais, se tornando umas das atrizes mais bem sucedidas dos anos 90 e sendo lembrada até hoje com uma estrela dos anos 90, com sucessos de bilheteria como O Casamento do Meu Melhor Amigo, Noiva em Fuga, Dormindo com o Inimigo, Dossiê Pelicano, Lado a Lado, Um Lugar Chamado Notting Hill, entre outros.


                                                           Uma Linda Mulher 1990


Em 2000 Julia Roberts participou do drama Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento, que lhe rendeu vários prêmios, entre eles o Oscar, Globo de Ouro, BAFTA, SAG, Critic Choice Awards e vários outros prêmios da crítica, se firmando de vez como uma atriz competente e rentável para a indústria, com altos números nas bilheterias mundiais.


                                                           Recendo seu Oscar em 2001
     

Nesses últimos anos, Roberts alternou entre bons filmes, alguns filmes medianos e umas bombas bem ruins mesmo, mas ela se sobressaiu em vários filmes, entregando belíssimas performances, como em O Sorriso de Monalisa, Closer, Jogos do Poder, Comer, Rezar e Amar, Olhos da Justiça, The Normal Heart e em Álbum de Família, onde trabalha lado a lado com Meryl Streep e um elenco de ponta e mesmo assim conseguiu ter a melhor performance do filme, que lhe rendeu a quarta indicação ao Oscar, que mesmo estando em uma categoria fraude (Roberts era atriz principal, mas foi para as premiações como coadjuvante) mantinha a melhor performance de sua categoria.


                                                                 Álbum de Família 2013


Julia Roberts atualmente está em cartaz ao lado de George Clooney no longa Jogo do Dinheiro, que teve críticas mistas e está indo bem nas bilheterias.


                                                               Money Monster - 2016


Em seus projetos futuros está o drama Train Man, onde interpretará uma advogada, também irá produzir e protagonizar a adaptação do best-seller de terror Fool Me Once. onde interpretará uma ex-piloto de operações especiais que começa a ver imagens de seu marido falecido brincando com sua filha e o seu mais recente projeto confirmado é o drama Wonder, onde interpretará a mãe do fofíssimo Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), que tem deformidades faciais e terá que enfrentar seu primeiro ano em uma escola comum.


                                                      Julia Roberts e Jacob Tremblay

Enfim, Julia Roberts não precisa mais provar nada para ninguém, além de ser uma atriz rentável para indústria, consegue ter boas performances em seu currículo, a implicância no mundo dos cinéfilos é totalmente sem nexo.





terça-feira, 31 de maio de 2016

Review: X-Men Apocalipse

X-Men Apocalipse ( X-Men Apocalypse - 2016)

Será que os críticos estão querendo moldar um padrão para filmes de heróis? Aquele padrão Disney/Marvel divertido e sem violência de ser? Parece que qualquer outro filme de herói que seja em outro tom, não mereça reconhecimento dos críticos (Deadpool é exceção), mas no caso de X-Men, a crítica especializada está errando feio, pois o filme já se firmou como o melhor filme de herói do ano.

En Sabah Nur é o primeiro mutante da Terra, sempre seguido por 4 cavaleiros. Desde o Egito antigo, ficou adormecido durante milhares de anos, ele desperta e novamente recruta 4 cavaleiros (Magneto, Tempestade, Psylocke e Anjo), cabe à equipe do Professor X combater esse terrível vilão que está prestes a destruir a humanidade.



X-Men foi o filme de herói que revolucionou o gênero, lá em 2000, na época os filmes de herói estavam em baixa e X-Men foi um sucesso de crítica e de público, abrindo os caminhos para que filmes como o do Homem Aranha acontecesse, por exemplo. Isso se deve a visão incrível que o Bryan Singer, que dirigiu os dois primeiros filmes, produziu o Primeira Classe e voltou à direção no Dia de Um Futuro Esquecido, que é o maior sucesso de crítica e de bilheteria que a franquia já teve.

Em X-Men Apocalipse, Bryan continua na direção e mais uma vez realiza um trabalho incrível, sendo melhor que seu antecessor, mesmo com a difícil tarefa de reapresentar heróis que nós já conhecemos, aliás, esse é um erro recorrente da franquia, embora Bryan tente, é bem difícil acreditar em um Universo dos mutantes nas telinhas, já que os filmes não funcionam como continuações, recomeços ou prelúdios, não há conexão nenhuma nos filmes, toda a saga em si é confusa, com erros básicos na cronologia, que sempre deixa a desejar, mas aqui, como um filme solo, episódico e com mais um recomeço para a franquia, o filme funciona bem, tem começo, meio e fim.

O roteiro é bem escrito, bem amarrado e desenvolve bem os personagens, com destaque para a trama do Magneto, que é bem contada e é com certeza o arco mais interessante do filme, esse é o ponto forte do roteiro, ele explora bem as emoções dos personagens, afinal, os personagens de X-Men são os mais humanos desses filmes de heróis, são aqueles mutantes que a gente se identifica, torce junto e sofre junto também, isso é fundamental para que o filme dê certo e o roteiro sabe explorar isso muito bem.



O excesso de CGI incomoda um pouco, assim como acontece em BvsS, mesmo que os poderes dos mutantes tenham ficado super bem feitos, os cenários, as destruições e a aparência do Apocalipse deixaram um pouco a desejar, mas nada que atrapalhe o andamento do filme.

O elenco é bem grande, isso gera um subaproveitamento de alguns atores, mas o trio principal (McAvoy, Fassbender e Lawrence) vai bem, James McAvoy que interpreta novamente o Professor X consegue explorar ainda mais sua carga dramática, tendo seu arco bem desenvolvido e mostrando que é um bom ator. Jennifer Lawrence é subaproveitada aqui, se em Dias de Um Futuro esquecido ela dá um show de atuação, aqui ela fica apagada, sem nenhuma cena com espaço para crescer, mas o pouco que aparece consegue ir bem. Michael Fassbender é o que tem a melhor performance do filme, Magneto é aquele típico vilão que a gente gosta, seu arco é o que se desenvolve melhor no filme e o mais interessante e Fassbender mostra a que veio, com carga dramática acima da média, faz com que a gente sinta na pele as emoções de seu personagem. Oscar Isaac faz um bom papel como Apocalipse, mesmo prejudicado por sua maquiagem, Issac trabalha bem e dá vida a um dos vilões mais ameaçadores do Universo X-Men. No elenco mais jovem, temos alguns destaques. Tye Sheridan dá vida ao Ciclope, e finalmente podemos ver algum espírito de liderança, já que o antigo Ciclope servia como peso de papel para a equipe. Sophie Turner encarna Jean Grey, ela faz um bom papel, mas falta amadurecimento na atriz, ela parece ser meio insossa e tudo o que Jan não é, é insossa. Os alívios cômicos ficam por conta de Evan Peters e Kodi Smit-Mcphee e ambos fazem bons papéis, Mercúrio e Noturno são ótimos personagens e foram bem aproveitados. O restante do elenco vai bem.



Entre a guerra declarada de Batman Vs Superman contra Capitão América: Guerra Civil, X-Men Apocalipse sai vitorioso sem muito esforço.



4.5/5

49% de críticas positivas no Rotten Tomatoes
52/100 no MettaCritic

quinta-feira, 12 de maio de 2016

10 Ótimos filmes do século 21 para assistir nessa sexta-feira 13



Embora esse século tenha vários filmes de terror duvidosos, o gênero é repleto de vertentes, com filmes para todos os gostos e para levar sustos de várias maneiras diferentes. Fiz uma lista com 10 (Na verdade são quase 20) filmes de terror/suspense/horror para assistir nessa sexta-feira 13.

Olha, confesso que não foi fácil montar essa lista, é um dos meus gêneros favoritos e têm filmes na lista que eu vi há alguns anos, vou logo avisando que escolhi dez filmes do meu gosto, alguns são muito bons, outros nem tanto, mas dão um baita medo, alguns marcaram minha infância, enfim, são filmes para se divertir (ou não) nessa sexta-feira 13

10. O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre - 2003)

O único remake descente que a franquia teve nesse século, muitos desgostam, mas é inegável que o filme é muito bom, todos os antagonistas realmente são pessoas assustadoras e Jessica Biel dá um show de performance, infelizmente sua  carreira não tomou um rumo muito legal, mas aqui ela entrega a performance ideal para a mocinha do filme de terror.



09. Eu Vi o Diabo (I Saw the Devil - 2010)

Um filme sul coreano sobre vingança que vai tirar seu fôlego, você vai ver os minutos se transformarem em segundos e vai querer saber o final da história antes mesmo dela começar. Eu Vi o Diabo conta com um protagonista pra lá de bom e um ritmo incrível.



08. REC (REC - 2007)

O único "found footage" da lista (aqueles filmes que fingem ser um documentário, com câmeras amadoras). REC é um filme espanhol que tem uma pegada exagerada que eu curto bastante, infelizmente os outros filmes da franquia não foram tão bons quanto esse, que tem um ritmo bom, usa muito bem a história do found footage e lida bem com os baixos recursos do orçamento.



07. O Labirinto do Fauno (Pan's Labyrinth - 2006)

Embora não seja um terror, propriamente dito, essa fantasia com suspense e drama é muito acertada, cheia de metáforas e referências à fábulas e outros contos, Guilherme del Toro conquista uma legião de fãs à partir daqui. A protagonista é ótima e os efeitos também. Mais um filme espanhol na lista (espanhol e mexicano)



06. Sobrenatural e Sobrenatural: capítulo dois (Insidious 2010 and Insidious: Chapter 2 2013)

James Wan é o nome do terror desse século, esse diretor faz tudo o que deve ser feito para gerar um filme de terro comercial, com qualidade e perfeição. Os dois filmes são incríveis, o dois ainda é melhor, o elenco é ótimo, a trilha-sonora é perfeita e toda a atmosfera que ele cria aqui é crível. Esqueçam o 3, ele é um insulto para os dois primeiros que são tão bons.



05. Jogos Mortais do 1 ao 6 (Saw 2004 - 2009)

Não são todos os filmes da franquia que são bons(ignorei o 7), mas James Wan deu um ponta pé inicial para uma das maiores franquias de terror de todos os tempos. Têm duas coisas que fazem a franquia funcionar perfeitamente bem: 1 o Tobin Bell, que gera empatia com o público. 2: as reviravoltas que os filmes têm. As armadilhas são interessantes, a ligação que geralmente os personagens tem também, você fica a todo instante querendo descobrir as coisas e ao mesmo tempo torcendo para as pessoas escaparem, enfim, os filmes mexem com seu psicológico e te instigam a querer ver mais.



04. Corrente do Mal (It Follows - 2015)

Polêmico? Acho que não.. Unanimidade entre os críticos e entre o público (quase todos vai), Corrente do Mal é um filme com elementos técnicos maravilhosos. Trilha sonora incrível, fotografia ótima, roteiro afiado e uma direção que merce ser reconhecida. E ponto para Maika Monroe que sabe trabalhar muito bem.




03. Você é o Próximo (You're Next - 2013)

Sangue, ação, suspense, porrada, golpes com utensílios de cozinha e uma protagonista pra lá de foda, Você é o Próximo já é um clássico do gênero, por todas essas coisas que eu citei acima, somando um roteiro ótimo, com algumas surpresas e uma direção muito bem realizada. Sharni Vinson entrega uma performance bem acima da média e nos faz vibrar com o quanto sua personagem é forte.




02. A Bruxa (The Witch - 2016)

Um dos filmes mais comentados dessa década, A Bruxa é agonizante, instigante e perturbador, você vai querer descobrir quem está fazendo essas atrocidades com a família, você vai tremer de medo em cenas que não acontecem absolutamente nada e você vai ser inserido dentro da tela. Bem dirigido, bem atuado e com um final foda.



01. Invocação do Mal (The Conjuring - 2013)

James Wan encabeça essa lista, surpresos? Não! Fato é, que Invocação do Mal já é um clássico do gênero, fez muito, mas muito dinheiro, tem uma legião de fãs e agradou o público e a crítica. O filme consegue ser comercial na medida e manter todas as qualidades que um filme de terror precisa ter. é bem atuado, tem trilha sonora boa, bons sustos (não que precise disso aqui), a relação com os personagens é bem construída, o roteiro é muito bom e é o filme que dá para assistir mais de 10 vezes sem enjoar.








quarta-feira, 27 de abril de 2016

Review: Batman vs Superman: A Origem da Injustiça

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice - 2016)

Porque é tão difícil falar de filme de herói? Se você fala bem é "fanboy", se fala mal é "pseudo-cult". A verdade é que cinéfilo não gosta de admitir que gosta de filme de herói, ou qualquer outro filme feito para a massa, como eu não tenho esse problema, posso tranquilamente afirmar que Batman vs Superman têm seus problemas, mas em um todo ainda é um filme muito bom.




O diretor é Zack Snyder, que é bem polêmico, ele divide opiniões e dificilmente você terá uma opinião neutra sobre ele, bem, eu tenho. Eu acho que ele acertou bastante em Watchmen e em Homem de Aço, mas também conseguiu a proeza de fazer um dos piores filmes do século, aquela porcaria chamada Sucker Punch

Só que tudo o que ele não é em BvsS é neutro. Snyder arrisca, arrisca no visual denso e sombrio, arrisca na trilha sonora forte, maravilhosa, cheia de guitarra, mas quem arrisca também erra, Snyder usou e abusou dos efeitos feitos em estúdio, dando um ar de superficialidade excessiva nas batalhas, causando um certo desconforto. Erra também na narrativa do filme, Snyder tinha um roteiro frágil em suas mãos e poderia ter tentado amarrar tudo direito, mas não conseguiu, o filme têm muitas sub-tramas e acaba não resolvendo algumas delas.




O roteiro é de dois roteiristas bem destintos. Chris Terrio venceu o Oscar recentemente pelo roteiro de Argo e David S. Goyer é o roteirista da trilogia Blade e da recente trilogia do Batman. ambos bons roteiristas, mas aqui fazem um trabalho cheio de altos e baixos, falta um pouco de conexão entre as cenas, falta estrutura no roteiro, que possui bons diálogos, diálogos rápidos, mas as vezes desnecessários, que acaba dando ao filme uns minutos à mais, não que o ritmo seja ruim, porque não é, mas tudo o que sobra acaba atrapalhando um pouco.

Como eu já disse anteriormente, a trilha sonora é um show à parte, é bom ver Snyder arriscando e saindo do convencional para o gênero, quando a Mulher Maravilha entra em cena com sua armadura, a trilha sonora dá um up na cena, assim como na sequência da última batalha do filme.



A fotografia ficou por conta do Larry Fong, que já havia trabalhado com Snyder em 300, em Watchmen e em Sucker Punch, se em 300 todo visual do filme era ruim, aqui Fong filmou bem corretamente, é muito mais funcional as cores que ele e Snyder escolheram, dando um tom sombrio para os cenários de batalhas, que são iluminados com os raios de calor do Superman, ou da armadura da Mulher Maravilha. Fong acerta também nos enquadramentos dos heróis, e os enquadramentos em câmera lenta também são ótimos.




Outro ponto forte é o elenco. Há algum tempo atrás, quando saiu que o escolhido para interpretar o Batman era o Ben Affleck, os fãs ficaram revoltados (confesso que na época eu também não gostei), mas ele se provou um Batman ótimo e um Bruce Wayne ainda melhor, o personagem em si já é bem difícil de ser interpretado, mas Affleck consegue ser o ponto chave do elenco, lidando com todas as nuances de seu personagem que agora, mais velho, está mais justiceiro do que nunca. Só precisa melhorar um pouco nas artes marciais, não sei se foi a armadura, mas achei Affleck bem lento na hora das lutas. Henry Cavill é sempre uma incógnita, ele não é um bom ator, mas é incrível como o Supermen lhe cai bem, e o Clark Kent também, talvez ele tenha nascido só para interpretar esse papel mesmo. Gal Gadot usa e abusa do seu carisma, ela tem umas sacadas boas, uns olhares intensos e na hora que a Mulher Maravilha entra em cena, é de longe, a melhor cena do filme, que mesmo tendo desagradado muita gente, manteve a Mulher Maravilha como unanimidade positiva. Já uma coisa que não foi unanimidade foi a performance de Jesse Eisenberg como Lex Luthor, ele deu uma exagerada, mas eu gostei, ele faz bem esse tipo de papel meio louquinho, fora que ele é um Lex Luthor mais novo, então encaixou muito bem. O resto do elenco está ótimo também.


É importante lembrar que esse novo Universo DC dos cinemas está começando a ser formado, a Marvel patinou bastante antes de fazer filmes realmente bons (Lê-se Vingadores), Snyder dá o tom que o Universo pode seguir e mesmo que seja um tom com um quê louco, grandioso e megalomaníaco,  ainda é um tom que tem qualidade, e nisso a DC já sai na frente da Marvel.



4.0/5


28% de críticas negativas no Rotten Tomatoes
44/100 no Mettacritic




terça-feira, 12 de abril de 2016

Review: Cake - Uma Razão Para Viver

Cake - Uma Razão Para Viver (Cake - 2015)

Quanto vale a performance de um ator ou atriz dentro de um filme? O quão isso é relevante para o resultado final? Em Cake, é quase 100%. É óbvio que uma performance não depende só do ator, tem o roteiro, o diretor que dirige o ator, a maquiagem e várias artimanhas por trás da atuação, mas nesse caso, Jennifer Aniston é fundamental para que o filme funcione.

Claire (Jennifer Aniston) uma mulher cheia de traumas, ranzinza, mal humorada, que não enfrenta seus problemas, começa a ficar obcecada por Nina (Anna Kendrick) uma garota do seu grupo de apoio que se suicidou. Claire começa investigar um pouco mais sobre a vida de Nina e aos poucos o filme vai revelando os verdadeiros traumas de Claire.



A direção ficou por cargo do Daniel Barnz, que até é um pouco bem quisto no meio independente, mas aqui deixa algumas lacunas e alguns pontos falhos, principalmente no primeiro ato. O filme demora bastante para engrenar, o primeiro ato é bem cansativo e arrastado, mas o roteiro de Patrick Tobin começa a melhorar do segundo ato em diante, que aos poucos vai revelando os motivos de Claire ser do jeito que é.



Eu não gosto do jeito que o diretor filma, ele dá uns closes bem medonhos, parece um pouco amador, prejudica bastante a fotografia do filme.

A trilha sonora é bonita, na cena com mais drama ela dá um empurrão legal. Christophe Beck que está mais acostumado com comédias (trilogia Se Beber Não Case, A Escolha Perfeita) se deu muito bem no drama também.

Mas vamos ser sinceros? A razão que nos faz assistir o filme é Jennifer Aniston, a personagem vai aos poucos cativando o público e tudo isso se deve a Aniston.

Jennifer Aniston entrega um performance limpa, sincera, forte, sem aqueles maneirismos chatos e aquelas caras e bocas exageradas, porque o filme não pedia isso, Aniston cai como uma luva para esse papel, na cena do trem, só com cinco palavras, podemos ver o peso que sua personagem carrega, e nas cenas seguintes a explosão dramática acontece e é linda, Aniston mostra que pode fazer comédias e dramas sem dificuldades, que aquele status que antes possuía foi superado. Adriana Barraza também mostra um excelente trabalho, sua personagem tenta a todo momento manter Claire sã, cuidando dela como se fosse uma mãe. A cena que ela começa tagarelar em espanhol é maravilhosa. O resto do elenco é "ok".





Com a evolução do primeiro ato para o terceiro, o filme termina com um ar satisfatório, a história é mal contada e sai bem prejudicada pela narrativa duvidosa, mas Jennifer Aniston é tão sublime, que consegue segurar bem o filme em sua performance, o envolvimento com a personagem é suficiente para nos fazer ficar e esperar ansiosamente por mais performances como essa.




3.0/5

49% de críticas positivas no Rotten Tomatoes
49/100 no Mettacritic.




terça-feira, 15 de março de 2016

Review: A Garota Dinamarquesa

A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl - 2015)

Tom Hooper é um dos novos queridinhos da Academia, seus últimos filmes foram prestigiados no Oscar e de uma maneira bem exagerada, já que ele é um diretor super burocrático.

A Garota Dinamarquesa conta a história de Lili Elbe, pioneira no movimento transsexual e que se submeteu a fazer uma cirurgia de mudança de sexo nos anos 20.



A história acaba sendo muito mais sobre Gerda (esposa do Einar, que no decorrer do filme vai se transformando em Lili) do que sobre o Einar, uma escolha do diretor que eu considero bem equivocada, mesmo Alicia Vikander estando bem melhor que o Eddie no filme, o roteiro errou feio em focar no personagem errado.

Tom Hooper já tinha feito trabalhos duvidosos em O Discurso do Rei e em Os Miseráveis, seus filmes mais festejados nas premiações e que realmente não merecem esse "aue" todo, mesmo A Garota Dinamarquesa sendo um filme melhor do que os anteriores citados, Hooper exerce uma direção extremamente burocrática. Ele arrisca pouco, os retratos de Einar e de Lili poderiam ser muito mais explorados, com um ritmo melhor e outro foco no roteiro, essa necessidade de fazer um filme para a grande massa acaba tirando o brilho que o filme poderia ter.

Aliás, isso é bem recorrente nos filmes de Tom Hooper, esse bom mocismo exagerado, esse ritmo mais lento, que merece não engrenar, em O Discurso do Rei fica muito evidente isso, dormimos quase o filme inteiro.

Lucinda Coxon é a roteirista e ela faz um trabalho razoável, o roteiro acaba sendo um prato cheio para Alicia e para Eddie nos dois primeiros atos, mas acaba caindo um pouco no último ato, que é bem previsível e cansativo. Lucinda e Tom poderiam ter dado um pouco mais de espaço para a reação da sociedade ao ver Einar se transformar em Lili do que ter focado só na relação do casal e no impacto que a transformação trouxe para os dois, ainda que Alicia Vikander e Eddie Redmayne sejam ótimos atores e entreguem ótimas performances.

A fotografia é linda, Danny Cohen fotografa muito bem (também fez um ótimo trabalho em O Quarto de Jack), ele é bem sutil e nas horas mais cruciais para o elenco, ele acerta em cheio.



A trilha sonora fica por conta do experiente Alexandre Desplat, vencedor do Oscar por O Grande Hotel Budapeste e que realizou ótimos trabalhos em Philomena, O Fantástico Senhor Raposo, Harry Potter e as Relíquias da Morte e em tantos outros filmes. Desplat aerta novamente aqui, sua trilha é simples, mas bem assertiva e na cena final é ponto chave para que o filme encerre bem.

O figurino e a maquiagem também são ótimos.

Eddie Redmayne faz o papel principal e ele entrega um ótimo trabalho, ele se mostra bom nos dois papéis, seu método de atuação mais teatral funciona perfeitamente bem, Lili têm muitas nuances e Eddie passa por todas elas sem nenhum problema. Em A Teoria de Tudo, filme que rendeu o primeiro Oscar para o ator, ele tinha acertado muito na composição física de seu personagem e deixado um pouco à desejar na carga dramática, em A Garota Dinamarquesa, Eddie entrega um trabalho mais completo, acertando muito na carga dramática. Alicia Vikander consegue roubar a cena, do segundo ato em diante ela se consolida com uma das melhores protagonistas do ano (embora tenha levado o Oscar de atriz coadjuvante para casa). Alicia tem uma carga dramática forte e consegue ter um carisma bem acima da média também, um dos motivos do filme dar certo, em certo sentido, é Alicia. Guardem seu nome, pois ainda lerão muito sobre ela, pelo visto ela também estará no Oscar do ano que vem com The Light Between Oceans.



Alguns elementos técnicos e principalmente Alicia e Eddie se sobrepõe ao roteiro falho, e mesmo o filme terminando com uma cena belíssima, a sensação de "poderia ter sido mais", "poderia ter ido muito além" e "a história não foi tão bem contada" fica no ar.



3.0/5

70% de críticas positivas no Rotten Tomatoes
66/100 no Mettacritic





quarta-feira, 9 de março de 2016

Review: A Bruxa

A Bruxa (The Witch -2015)

A Bruxa segue os caminhos que Corrente do Mal seguiu ano passado, foi lançado em festivais, arrancando elogios de todos os críticos e chegando ao circuito comercial já estabelecido como um ótimo filme do gênero (A Bruxa chega estabelecido por muitos como o maior filme de terror dos últimos anos), mas o que acontece aqui, é que Á Bruxa é um filme para poucos, infelizmente (ou não) os fãs de Atividade Paranormal, Annabelle e afins vão detestar.

Acontece que o filme é atmosférico, tem muito de drama também, no caso um drama familiar e isso geralmente não agrada o grande público, que em geral, vai ao cinema tomar sustos.

O filme se passa lá no século XVII, um casal com seus cinco filhos vivem juntos, com uma comunidade extremamente religiosa, isso não é mostrado muito no filme, logo no começo eles são banidos desse povoado e vão morar em uma fazenda, do lado de uma floresta, bem afastada da civilização e coisas bizarras começam à acontecer.



É difícil trazer ares novos para um gênero tão desgastado né? Uma vez ou outra vemos filmes que são bem feitos mesmo e que tragam algo de novo (Lê-se Corrente do Mal de novo), mas aqui vemos que Robert Eggers traz um suspiro aliviado pros fãs do gênero.

Eggers lutou muito para arrumar produtores para o filme, inclusive um dos produtores é brasileiro, mais um orgulho para o nosso país, que está cheio de gente boa trabalhando em Hollywood.

A Bruxa é o primeiro filme e o primeiro roteiro de Robert Eggers, como eu disse, ele passou vários anos na pré produção do filme, pesquisando contos, lendas, ou relatos sobre aquela época, onde as pessoas realmente acreditavam em bruxas, muito das falas dos personagens foram tiradas desses relatos. Eggers cria todo uma ambientação perfeita para que a história funcione, ele dirige o elenco perfeitamente bem, escreve todo o roteiro sozinho e mantém o clima e o suspense do primeiro ato até o minuto final do filme.



É um terror-arte, cheio de elementos técnicos impecáveis, como a fotografia desprovida de cores, sem aquela saturação toda, a ambientação também é ótima, dentro da casa deles, é escuro e claustrofóbico, algumas cenas você realmente se sente dentro da cabana. A trilha-sonora é sempre um ponto chave para filmes desse gênero e aqui ela é muito boa, nos momentos finais ela é crucial. Ponto para Mark Korven.

Com uma equipe técnica bem escalada, o elenco não poderia ser ruim né? Embora nenhum dos atores seja muito conhecido do grande público, todos fazem ótimos trabalhos. Anya Taylor-Joy faz a personagem principal, a filha mais velha, toda trama é centralizada nela e ela faz um ótimo papel, ela lida bem com as nuances que sua personagem passa durante o filme e nas cenas finais ela dá um show. Ralph Ineson interpreta o pai da família e ele também está excelente, o personagem é um religioso fanático que só enxerga o que quer. Kate Dickie interpreta a mãe e usa e abusa da sua carga dramática, com muita inteligência, claro. Harvey Scrimshaw interpreta o segundo filho mais velho, ele é esperto e tenta descobrir os mistérios que estão acontecimento na sua casa e na fazenda e também trabalha muito bem, principalmente nas cenas finais.



A Bruxa não é um filme perfeito, mas tem muitos pontos positivos, se o filme tivesse um ritmo um pouquinho mais rápido, seria excelente, mas ainda sim é um suspiro aliviado para o gênero, que anda tão desgastado e tão previsível



4.5/5

89% de críticas positivas no Rotten Tomatoes
83/100 no Mettacritic